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Ao chegarem a casa, o Pedrinho foi logo a correr para a tv principal que estava a um click do funcionamento total. A mãe dirigiu-se ao atelier tecnológico, enquanto o pai foi ligar os UPS e soltar a patilha de segurança do sistema de energia solar. Não tinha sido à toa que tinham mandado forrar, literalmente, cada centímetro quadrado do exterior da casa. O investimento tinha valido a pena já que quem tinha pago metade da obra tinha sido o governo, tempos, por sinal, mais duros. A família Gaspar tinha uma ligação por cabo à já algum tempo e o Pedrinho até tinha nascido em directo, para a família e amigos dos Gaspares que tivessem tido acesso à password, numa festa preparada para o efeito em que até os parteiros tinham tido fatos a condizer, (idéia da avó paterna). Os vizinhos, com quem partilhavam a casa geminada, tinham-lhes mandado, de seguida, meia-dúzia de postais interactivos, pour default, feitos pelas suas duas queridas criancinhas, uma com ano e meio e a outra já com três aninhos.Não conseguia adormecer a pensar na velhota que tinha ido lá a casa, matar umas galinhas e estripar uns coelhos. Tinha-me falado de uma homepage que estava a construir a meias com o marido e mais uns quantos membros da associação cultural e recreativa da aldeia. O tema principal era a região onde se inseria a aldeia, sob vários aspectos e pontos de vista. O marido, que colaborava com os suecos a integrar aplicações JAVA em WML para telemóveis, tinha-os ajudado imenso na acessoria técnica quando resolveram instalar um esquema paralelo de e-business: to consumer e to business, e que tinha pago o server em seis meses, "...Com uns queijinhos a mais entre todos".
A vida na "Quinta", como lhe gostavam de chamar, era silenciosa. E à noite, ficava-se sempre a ouvir o ladrar dos cães que seguravam as casas daquele sítio, amarradas por correntes de ferro aos bichos.
Qualquer coisa podia fazer despoletar a coisa e quando não conseguia adormecer, punha-me a escutar o silêncio, um silêncio qualquer. E nessa altura um cão ladrava… Outro, perto, respondia-lhe e ladrava mais longe, e a seguir, outro cão continuava e outro ainda, mesmo que o primeiro a falar já se tivesse calado e até adormecido. E aquilo que eles ladravam continuava, sem parar.