imagem: Mário Cameira

F Á B R I C A DAS M E N T I R A SL I E S F A C T O R Y

por/by
António Pocinho

"Nada é verdade, tudo é permitido"
Emídio Rangel

Filhos Da Nação
Como toda a gente sabe, sou muito amigo do Jorge Coelho, filho do Eduardo Prado e da Teresa, e isso só por si tem sido objecto de incomensuráveis invejas... Porque o Jorge Coelho é do Governo, porque escreve no Público e no 24 Horas, porque é um excelente vocalista, enfim, porque é apresentador de vários programas de televisão, desde os touros ao futebol. Ainda no outro dia, em amena cavaqueira no Snob com o Pedro Rolo Duarte, pai do actor brasileiro Lima Duarte, e um homem que vai sempre à bola, aconselhava-me este amigo e empresário a não ligar a esta devassa da vida privada de uma pessoa. Mas, oiça, Pedro (e você conhece mais pessoas do que eu), como não ligar a isto se é com estas pessoas que uma pessoa do nosso meio tem que se dar?! Para mim seria muito dífícil deixar de falar de um dia para o outro com a Rita Ferro Rodrigues ou com a Bárbara Guimarães, filha do ministro Mário de Guimarães. Então eu tinha de deixar de me dar com os meus próprios filhos: o Nuno Rogeiro, um puto tão vivaço, e o António José Saraiva, que até chegou a director do Expresso? Isso nunca. O Francisco Balsemão e o Francisco José Viegas, que não é primo do Mário Viegas, podem continuar a contar comigo, mesmo quando mal tenho tempo de tomar um banho ou um whiskie entre o Jogo Falado e o Ler Para Crer. À semelhança do prolixo anacronista Adolfo Luxúria Canibal, um parente afastado do Hannibal Lector, posso afirmar que jamais farão de mim uma marca. Eu não sou as manas Pinto Correia. Estou mais próximo da minha grande amiga Catarina, que deu ao mundo essa trilogia talentosa que são o Paulo, o Miguel e o arquitecto Nuno Portas. Ou mesmo do Rui Zink, um filho da SIC e da Universidade Nova. Eu sei que eles só são meus amigos até que eu me enterre, mas como não sou eu que me hei-de enterrar... o que lá vai, lá vai. Para trás mija a burra, embora eu tenha conhecido algumas burras que também mijam para a frente. Quem me compreende é a Maria José Santana Lopes, que é uma jóia de pessoa, e não é por ser filha de quem é. Até o meu amigo Júlio Pinto, pai da Maria José Nogueira Pinto e um "marginal de sucesso", teria de concordar comigo. Ele que anda sempre a correr entre fechos de edição. Já para não falar do Nuno Henrique Luz, que só se tem aguentado à custa de muito Sargenor.
A última vez que estive com o Miguel Sousa Tavares, à porta do meu carro, notei que ele estava um bocado em baixo, com olheiras. É muito trabalho para um homem só. Deviam deixar estas pessoas em paz, ou pelo menos deixá-las dormir uma sesta. Esta vampirização em torno dos meus amigos e familiares devia ser para mim um motivo de orgulho, mas temo por eles. Eu próprio estou sempre a ser requisitado para escrever em tudo quanto é folha em branco. Tenho uma coluna na Bola sobre economia, uma crónica no Diário de Notícias sobre política e outra na flirt sobre aquilo que me apetecer. Agora apareceu-me a revista do Sindicato dos Trabalhadores dos Seguros e a revista da Portugal Telecom, para onde escreve também o MEC. Entrevisto entrevistadores à terça e personalidades da cultura, como o Eduardo Lourenço, filho de Lourenço da Arábia, à sexta. Só ao Sábado é que tenho tempo para a poesia e para a família. Enfim, uma vida de cão.

"Nothing is true, everything is allowed"
Emídio Rangel, programs director of SIC

Nation Spawn
As everyone knows, I'm a close pal of Jorge Coelho, son of Eduardo Prado and Teresa, and just that plain simple fact makes me a favourable target of other people's huge envious thoughts… Because Jorge Coelho is a Government member, because he writes for the Público and the 24 Horas, because he's an excellent singer, and mainly due to the fact that he is the TV host of a whole bunch of shows and talks, from bullfighting to football. Just the other day, as I was at Snob, rapping with Pedro Rolo Duarte, father of the Brazilian actor Lima Duarte, and a man who is a football matchmonger, well, this very friend of mine, also a good business man actually, he told me to pay no attention whatsoever to the latest private life intrusions, lately in fashion. But, listen, Pedro (and you know far more people than I do), how can I pretend nothing happens if this happens to people we, that belong to these special circles of society, are obliged to be intimate with? For me it would be easy to stop talking, just like that, to Rita Ferro Rodrigues or to Bárbara Guimarães, the daughter of the ministry Mário de Guimarães. Do you think I should stop to meet my own sons, Nuno Rogeiro, a so lively fellow, and António José Saraiva, that was even director of Expresso? I would never! As for Francisco Balsemão and Francisco José Viegas (not a cousin of Mário Viegas, by the way), they can still count on me. Even if I have so little time for a bath or a whisky between Jogo Falado and Ler Para Crer. Almost alike the anachronic verbose Adolfo Luxúria Canibal, a distant relative to Hannibal Lector, I can say that I shall never be turned into a brand. I'm not the Pinto Correia sisters. I am much closer to my greatest friend Catarina, mother of that unique and full of talent trilogy of boys that Paulo, Miguel and the architect Nuno Portas are. Or even to Rui Zink, son of SIC and Universidade Nova. I know that they are my friends just 'till my funeral service, but it won't be me digging my own grave… let bygones be bygones. As the saying goes:«the mares piss backwards». Although I've met some that piss forwards. Ah, only Maria José Santana Lopes understands me. She's a lovely lady, she is, it's not by chance that she is the daughter of you know whom. Even my close friend Júlio Pinto, father of Maria José Nogueira Pinto and a "successful outcast", would agree. Specially him, always running from deadline to deadlines. Not to mention Nuno Henrique Luz, that's been making well enough only thanks to Sargenor.
The last time I met Miguel Sousa Tavares, just outside my car, I happen to notice that he was in downers, he was horribly pale and tired. Too much work for just one man. They should leave these people alone. At least, allow them to take a lil' nap. I should be proud of this vampirization on my friends and relatives, but I actually fear for them. I am, myself, asked to write a few lines in every blank sheet of paper as possible! I have an economy column at the Bola, a politics chronicle at Diário de Notícias and another one at flirt in which I can ramble about anything. Now the Insurance Salesmen Union magazine, as well as Portugal Telecom's, invited me to write something. Did you know that MEC also writes for them? I interview interviewers as Thursdays, Culture personalities at Friday - for instances, Eduardo Lourenço, son of Lawrence of Arabia. Thank God I have Saturdays for poetry and the family. As they say, it's a dog's life.