P A I S A G E N S U R B A N A S 7 U R B A N L A N D S C A P E S

 

 

 

Obras públicas
O que define a necessidade de uma fonte ou de uma escultura do meio de uma rotunda? Que critérios determinam a construção dos monumentos públicos? O que está por trás das opções conceptuais, técnicas, estéticas? Que gosto, ideia, mensagem reflectem?
Nada disto é evidente. Por isso o que aqui deixamos são uma série de elementos, analogias e imagens para reflectir. Gostaríamos de deixar também números, que é como quem diz, os orçamentos. Esses não são fáceis de arrancar assim do pé para a mão ao município.
Escolhemos meia dúzia de obras, de uma forma mais ou menos arbitrária. Aquelas que nos entravam mais pelos olhos adentro. O maosoléu do Duarte Pacheco à saída de Lisboa pela auto-estrada do sul; a homenagem a Sá Carneiro na rotunda do Areeiro; a fonte no cimo do Parque Eduardo VII, evocação ao 25 de Abril; a Fonte Luminosa na saída da IC à entrada para Oeiras, e finalmente o conjunto escultórico no interface entre a estação dos comboios e terminal de autocarros em Algés. Pertencem aos concelhos de Lisboa e Oeiras.

 

 

Maosoléu Duarte Pacheco
No canteiro à saída da auto-estrada, encimado nuns cilindros concêntricos, ao género bolo-de-noiva, forrados a azulejos de cozinha castanhos, a estátua do engenheiro Duarte Pacheco, Ministro das Obras Públicas do Estado Novo. Os ciprestes e os canteiros com sardinheiras dão-lhe o sainete final. Só faltam as conversadeiras. A obra é 1991, do escultor Mestre António Duarte e do Atelier Arquitectos Nuno Santos Pinheiro.

 

 

O Decepado,
homenagem a Francisco Sá Carneiro

O volume que serve de suporte à enorme cabeça de Sá Carneiro é uma estelização do logotipo do PSD, no lugar das setas uma multidão eufórica levanta as bandeiras do líder. A inscrição diz: «Viva Portugal. Vencer Portugal em Democracia. Liberdade. Justiça Social. Solidariedade.» A obra é de 1991 e tem origem numa subscrição pública iniciada pelo jornal "O Dia". Escultor Domingos Soares Branco e Arquitectos Martins Bairrada e Leopoldo Soares Branco. A localização é perfeita, a rotunda do Areeiro. A melhor vista é da João XXI, ao fim do dia com as Olaias ao fundo.

 

 

A Pila,
evocação ao 25 de Abril no cimo do Parque Eduardo VII

Do tanque rectangular emergem 4 sólidos: duas colunas, um cravo e um totem enorme, que jorra água. É tudo de mármore, rosa. O autor é o escultor João Cutileiro. Lisboa nunca mais será a mesma…agora que assumiu o seu lado masculino. Obrigado Joões.

 

 

Fonte Luminosa no IC 17
Saíndo do IC 17 na direcção a Oeiras encontra-se o ex-libris do Concelho. O 'enfeite' para a rotunda (estética do naperon e jarrinha no centro) foi preocupação do Presidente da Câmara, o Dr. Isaltino Morais, que na sequência da política ambiental desenvolvida pela autarquia subordinou a obra ao tema Natureza/Ambiente. A Fonte ocupa quase o perímetro da rotunda e emana uma luz que não deixa nenhum automobilista indiferente, no movimento das águas e nas formas das esculturas espelha-se uma forte consciência ambiental. A obra foi desenvolvida pelo arquitecto Álvaro Manso e as esculturas são do escultor Óscar Guimarães. Os munícipes agradecem.

Conjunto escultórico na R. Major Afonso Palla
Junto à estação de Algés no interface da estação de comboios e terminal de autocarros um conjunto de esculturas, enormes, brancas, humaniza a zona pedonal num passeio agradável entre espaços verdes (vulgo canteiros). É um prolongamento das preocupações ambientais da autarquia. Pela mão dos arquitecto Álvaro Manso e do escultor António Quina. Os munícipes agradecem II.

As obras públicas favorecem, espelham o gosto e os interesses de quem as ergue. De público têm o caráter de pertencerem a todos nós, a decorar rotundas e canteiros de auto-estradas. Nós agradecemos III.

Public Works
What is the definition of the need for a fountain or a sculpture at the middle of a roundabout? What are the criteria that lead to building up public monuments? What is behind its conceptual, ethical, aesthetic options? What taste, idea, message do they reflect?
None of this is clear. What we do here is leave a trail of elements, analogies, and images for you to reflect on them. We would also like to talk numbers, which is to say their cost, budgets, the works. But the City Councils' lips remain sealed.
We picked up a dozen of monuments, in a sort of random fashion. The ones which were too sight-caustic for us. The Duarte Pacheco Mausoleum at the Lisbon exit of the southbound highway; the Sá Carneiro homage at Areeiro; the Fountain at the top of the park Eduardo VII, that evokes the 25th of April; the Luminous Fountain at the exit of IC (the entrance to Oeiras); and the sculpture group at the interface between the train station and the bus terminal, at Algés. All of them are property of Lisbon's and Oeiras' City Councils.

Duarte Pacheco Mausoleum
In the flowerpot at the highway's exit, with concentric cylinders on top, wedding cake style, with brown kitchen tiles all over, the statue of Duarte Pacheco, the illustrious Public Works Minister during the Estado Novo. The cypresses and the geranium-beds give the final touch. Built in 1991, by sculptor António Duarte and by the Nuno Santos Pinheiro Architects atelier.

The Beheaded, homage to Franscisco Sá Carneiro
The enormous shape in which the huge head of Sá Carneiro stands is a stylisation of the PSD logo, but instead of the arrows, an euphoric crowd raises the leader's flag. The inscription reads: «Long live Portugal. Win Portugal by Democracy. Freedom. Social Justice. Solidarity» Built in 1991, it was originated by public subscription run in a newspaper. The sculptor was Domingos Soares Branco and the architects Martins Bairrada and Leopoldo Soares Branco. The siting is perfect: the roundabout of Areeiro. The best view of it is from the João XXI street, at dusk with the Olaias building as background.

The Dickie, an evocation of the 25th of April at the top of the Parque Eduardo VII
From a rectangular tank 4 solid shapes emerge: two columns, a carnation and a huge totem that sprinkles water. Everything on pink marble. The author is João Cutileiro. Lisbon will never be the same, now that it comes out… with its masculine side. Thank you, Joões.

Luminous Fountain at the IC 17
When you exit the IC 17 in direction to Oeiras, you come across the municipality's ex-libris. The roundabout's gadget («the table centres lacy cosies & lil'jars» aesthetics) was a main issue in the City Council's president Isaltino Morais agenda for some time, and as a consequence of its environmental policies it developed the fountain under the Nature/Environment themes. The fountain is almost the exact diameter of the roundabout, its lights traps every single driver, and both the sprinkler and the sculptures are evocative of a strong environmental conscience. The fountain was designed by architect Álvaro Manso and the sculpture of Óscar Guimarães. The citizens would like to thank.

Sculpture Group at R. Major Afonso Palla
In Algés, at the interface of the train station and the bus terminal, a group of big white sculptures humanise the pedestrian area, and provide a pleasant walk among green areas (a.k.a. stone-cutters). Also a product of the Council's environmental policy. Architect Álvaro Manso and sculptor António Quina. The citizens would like to thank II.

Public works are favourable to, they reflect the taste and the worries of the ones who build them. They're «public» because they belong to every one of us, as they embellish roundabouts and highway vases. We would like to thank III.